terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Cruz

“Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: ACEITAR COMISERAVELMENTE O SACRIFÍCIO DA NOITE.”(Água Viva, Clarice Lispector)


A minha cruz é ser tão eu mesma e ao mesmo tempo lidar com esta dor de ser autêntica e verdadeira. O mundo não está preparado para aceitar pessoas intensas e espontâneas. Este mundo está preparado para lidar com as máscaras; as mesmas máscaras que tornam a vida insuportável; insuportável como o pesadelo noturno que sacrifica o sono, promissor de bons sonhos. Amo esta cruz, embora dolorida e, em difíceis circunstâncias simplesmente odiosa, pois não posso negar minha própria existência.

Descobrir que há uma cruz, aceita-la, carregá-la exige certo sofrimento, bem típico de leitores assíduos de Clarice. Sofre quem sente Clarice. É uma leitura corajosa que lida com muitas descobertas de ordem existencial e estas descobertas trazem dores, sejam elas dores próprias ou a própria dor que há no mundo.A diferença deste sofrimento é que ele é recompensador e esclarecedor ainda que seja doloroso. Clarice é para aqueles que querem desbravar o próprio coração humano, recebendo a recompensa de conhecer,se necessário, o pior dos sentimentos, contato que ele seja libertador. Nos liberta da ignorância de não tentar entender um pouco de nossa existência.

Foto: Clarice Lispector

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