segunda-feira, 19 de abril de 2010

O último poema para começar a semana



Quero sonhar com Manuel Bandeira essa noite. Sonhar e ver flores abraçando-me na madrugada.


Ele, Drummond e Mario Quintana
são os poetas que mais tocam meu coração. Gosto de sonhar e pensar Bandeira quando minha alma está naqueles dias de liberdade e libertinagem, porque ele merece minha inspiração. Muitos críticos escrevem sobre Manuel Bandeira. Escreve sobre sua capacidade de transformar o tema mais banal em poema com forte carga emotiva, sobre sua humildade, seu convívio com a presença da morte e da doença, seu talento em transformar o prosaico no sublime, o espiritual em dissoluto, entre tantas coisas. Quisera eu viver a Pasárgada de teu poema, porque com certeza eu seria realmente muito mais feliz. Na verdade, busco a felicidade mesmo sem buscá-la tão diretamente, porque quando leio M. Bandeira, ele desperta em mim aquele lirismo libertador, o lirismo de sua poética:



... o lirismo dos loucos
o lirismo dos bêbados o lirismo difícil e pungente dos bêbados o lirismo dos clowns de Shakespeare. (do Poema Poética)


Bandeira sempre me inspira como se ele compreendesse o que eu sentisse. Oras, ele compreende sim, em algum lugar no lirismo dos poetas e dos loucos.


O ÚLTIMO POEMA
Assim eu quereria o meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

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