quarta-feira, 21 de julho de 2010

Literatura Brasileira: Por que amar Manuel Bandeira?

“Sou poeta de circunstâncias e desabafos”

(Manuel Bandeira)






A própria experiência poética de Manuel Bandeira revelou um poeta preocupado pela busca apaixonada de expressão de temas cotidianos , da infância e família, de valores estéticos e de desejos eróticos. Manuel Bandeira perseguiu, de maneira constante, novas maneiras de expressão de sua poesia e conseguia extrair uma forte carga lírica de seus poemas. Poemas consagrados como poética e Vou-me embora para Paságarda estão no livro Libertinagem (1930) e foram construídos como um expressão de uma das fases mais importantes da poesia de Manuel Bandeira no Modernismo Brasileiro: a fase da liberdade total no fazer poético, no qual o autor apresenta uma maturidade maior, livre das influências simbólicas e parnasianas da 1ª fase de sua poesia e transforma sua poesia com novo ritmo, linguagem e modo de enxergar a vida. Podemos dizer que nesta fase de liberdade, o poeta adquire uma forte consciência que permeia a concepção de sua poesia e ultrapassa a fronteira entre o simbólico e o real, entre o “eu” e o mundo externo. Fase subversiva e contestadora de valores estéticos; mas também libertina na qual o poeta incorpora elementos dissolutos em sua criação poética como o erotismo, a vivência dos prazeres extremos de uma Pasárgada e os momentos de alumbramento.








Por que amar este magnífico poeta? Relacionando sua obra ao presente, meu comentário pessoal é que o poeta eternalizou sua produção, trazendo – a para a atualidade. Através da vivência, sensibilidade, percepção e reflexão da condição humana, Bandeira foi capaz de trazer ao leitor elementos atuais e tão presentes no nosso cotidiano como o amor, a infância, o desejo, a família, a morte, etc; por isso, defendo que a poesia de Manuel Bandeira é muito atual. Muitas vezes, o homem não enxerga que a arte é uma constante no dia a dia; mas quando atentamente observamos os elementos intrínsecos da criação artística de um poeta como Manuel Bandeira e como eles são recorrentes no presente; percebemos que vivenciamos estes temas todos os dias: a nostalgia da infância, o erotismo, a amargura; a luta contra a morte e a enfermidade; a busca de liberdades individuais e coletivas, o questionamento de valores morais, sociais e religiosos.


O mais impressionante e atual da obra poética de Manuel Bandeira é sua capacidade de recorrência, de atuar de maneira tão real em nosso dia, de tornar sublimes circunstâncias tão banais. Muito mais que a permanência de sua obra, o próprio poeta nos ensina como superou um mau destino, com simplicidade e paixão; mesmo sabendo que a morte e a doença eram suas companheiras. Minha motivação em Bandeira é saber que a vida pode tornar-se mais bela aos olhos quando amadurecemos a tão ponto de enxerga-la com menos hostilidade, apesar das dores pessoais.



Nos próximos posts, alguns poemas de Manuel Bandeira estarão aqui (com as merecidas análises), na sua encantadora liberdade poética e libertinagem. Inté!

Um comentário:

  1. Fui arrebatado tardiamente por Manuel Bandeira. Fiquei completamente comovido pelo lirismo e pela simplicidade de seus poemas que me tocaram profundamente.

    Ele morreu no ano em que nasci.

    Como gostaria de ter conversado com ele pelo menos uma vez.

    Imagino que ele tenha sido uma pessoa encantadora!!

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