sábado, 26 de janeiro de 2013

Suspensas Fugas, Cecília Meireles


 
"PARA PENSAR EM TI todas as horas fogem:
o tempo humano expira em lágrima e cegueira.
tudo são praias onde o mar afoga o amor.

Quero a insônia, a vigília, uma clarividência
deste instante que habito - ai meu domínio triste!

Vejo a flor, vejo no ar a mensagem das nuvens,
- e na minha memória és mortalidade - vejo as datas, escuto o próprio coração.

E depois silêncio. E teus olhos abertos
nos meus fechados. E esta ausência em minha boca:
pois bem sei que falar é o mesmo que morrer.

Da vida à vida, suspensas fugas".

In: 'Solombra", 1963.

 





"Cecília, Cecília.
Ela sabe das coisas do Amor e de sua ausência  
De tanto amar e, na dor que vem da memória, 
que insiste no coração tocar
o escape é a rota para não no Amor pensar,  
Ele nunca é esquecido, mesmo quando os olhos se fecham
em um sono que deseja muito mais um afetivo sonho
Ele nunca se ausenta, ainda que haja o desejo
de uma fuga que sempre ficará em suspenso."
(Cristiane Costa)